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Museu. Quando você ouve essa palavra provavelmente pensa em coisas velhas, num prédio antigo, empoeirado e nada de realmente interessante.  No Brasil há boas chances disso ser verdade, não temos a cultura dos museus e entramos num ciclo vicioso de baixa visitação gerando pouco retorno, que gera pouco investimento, museus menos atrativos, baixa visitação…

Uma primeira possibilidade para explicar o fenômeno seria nossa história relativamente curta, pouco mais de cinco séculos, frente à milenar europeia, por exemplo. Mas os EUA tem nossa idade e museus grandiosos com exposições de encher os olhos. Tem que ser mais do que isso.

Se eu puder dar meus 2Centavos sobre o que seria esse fator, chamaria de “ausência de história de fato”.

Por sermos uma mistura étnica tão grande, nossas raízes são indefinidas, não nos sentimos parte de grupo algum ao mesmo tempo em que pertencemos a todos os grupos. Famílias com várias gerações já nascidas no Brasil ainda fazem questão de se enxergar como italianas, portuguesas, japonesas, sírias… e sendo assim, porque se interessariam na história deste país verde-amarelo?

Muitas nações foram formados pela miscigenação, mas em algum momento eles criaram uma identidade nacional, uma noção de que precisavam se unir, de igual para igual. Em muitos casos quem provou isso foi uma guerra. No Brasil pacifista, sempre prosperou a cultura do benefício próprio, de usar o outro para subir. Sozinho, não junto. Foi assim entre portugueses e índios, depois com escravos africanos, então com imigrantes europeus e hoje, talvez, com hermanos latinos, ou entre nós mesmos.

Se acumulando ao desinteresse pela história do próprio país, vem o desinteresse pela história do mundo – fenômeno que, diga-se, não é exclusivo nosso. Que se dane o passado, eu sou assim, minha família é assado, o mundo é este. Vou viver o hoje. Apesar da natureza social do ser humano e de toda a tecnologia de comunicação atual, o individualismo toma conta. É imutável? De forma alguma, mas a ignorância à história já é um reflexo.

Agora pense comigo: “Eu? Ir num museu enquanto posso assistir meu futebol, brincar no meu iPad ou fazer compras no Shopping? Nem sonhando.”

Talvez tenha sido pensando nisso que o Ribeirão Shopping (em Ribeirão Preto/SP) enfiou uma exposição digna de museu de história natural em seus corredores, chamada “Gigantes da Era do Gelo“. E eu gostei do que vi. Não localizei o Sid, mas temos um belo Manny (fotos acima – clique para ampliar) e acredite, o bicho é (ou melhor, era) ENORME. Talvez mais assustador do que ele, afinal é parente do também grandalhão elefante, é ver animais que chegavam a 2,5 metros de comprimento mas cujos descendentes que conhecemos hoje são pequenos e simpáticos – falo do castor aí em baixo.

Vale a visita, mas seja rápido, é só até 11 de março. De toda forma é provável que depois a exposição siga para outros shoppings da rede Multiplan – quem sabe um aí na sua cidade.

Mas volte. E os museus brasileiros, você visita?

Fotos: tiradas com o celular e sol a pino, sorry :)

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Administrador, desenvolvedor, gamer, tecnófilo, viajante, otimista nato, calmo por natureza. Criador do eco4planet, já escreveu para o Gizmodo e Papo de Homem e participou do podcast Guia Prático, do Manual do Usuário.
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  • Stephannie

    Olá! Adorei o texto, ainda mais por ser um assunto tão pouco discutido! Qual a fonte que você utilizou para escrever? Obrigada!