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Eleicoes

Quociente eleitoral. Sim, baita spoiler né? Mas a culpa é desse questionável instituto.

Explicações mais completas e exemplos (fáceis de entender, aliás) você encontra na Wikipédia, mas resumidamente o que ele faz é reservar as cadeiras na Câmara (de Deputados Federal e Estadual, e de Vereadores) de acordo com o número de votos de um partido, sejam votos diretamente em candidatos, sejam votos apenas na sigla (quando você vota digitando apenas os dois primeiros números do partido). Então, um partido com muitos votos tem direito a colocar mais deputados, ao invés de simplesmente elegermos os candidatos mais bem votados.

E é exatamente por isso que você não deve votar em um “famoso” apenas porque ele é legal ou como “forma de protesto”. Graças a seu voto nele, pessoas que você nunca ouviu falar estarão em Brasília legislando e fiscalizano (ou não) o governo federal.

Vou utilizar o caso de São Paulo 2014 (que você pode dar uma olhada nos números pelo Divulga do TSE). Celso Russomanno foi o candidato mais bem votado, com mais de 1,5 milhão de votos, seguido por Tiririca com 1 milhão, Pastor Marco Feliciano com quase 400 mile daí em diante – imagem abaixo:

votos1

 

Até aqui, tudo bem, mas vamos olhar lá pra baixo na lista. São 70 deputados eleitos e depois começa a lista dos não eleitos:

votos2

Veja que Fausto Pinato, o último colocado entre os 70 eleitos teve apenas 22.097 votos, enquanto Thame, que não entrou, teve mais de 100 mil votos! E por quê? Porque graças ao quociente eleitoral, aquela pancada de votos no Celso Russomanno, do PRB, fez com que seu partido tivesse direito a mais cadeiras, trazendo Sérgio Reis, Beto Mansur, Marcelo Squasoni e Fausto Pinato, ainda que estes candidatos tenham recebido uma votação inferior a tantos outros.

Tiririca provoca o mesmo efeito. Graças à votação expressiva, seu partido PR conseguiu colocar pra dentro, Capitão Augusto e Miguel Lombardi.

Ou seja, os candidatos numerados de 71 a 78 na lista da imagem acima, teriam entrado se não houvesse o quociente eleitoral, porque receberam mais votos do que aqueles que aparecem no final da lista de eleitos. Afinal, se os votos todos são iguais na votação, os votos deveriam ter o mesmo peso, e seria esperado que elegessemos os mais votados.

Em outros estados, situações similares acabam acontecendo.

Com isso, surgem alguns problemas:

  • O mais óbvio é a eleição de pessoas com votação abaixo de outras, ou seja, seu voto num candidato acaba elegendo outro que você nem conhece e talvez nem concorde com suas ideias, apenas por serem do mesmo partido.
  • Isso nos leva a outro ponto: existem partidos que acolhem e dão espaço excessivo na TV para a candidatura de famosos apenas para ganhar votos e, consequentemente, vagas para outros de seus candidatos não tão conhecidos.
  • E por fim, uma pessoa que pretende se candidatar, pode optar por filiar-se a um partido que, historicamente, consegue puxar mais vagas por causa de candidatos famosos que recebem votações expressivas, ao invés de optar pelo partido cujas ideias mais se encaixam com seus próprios princípios e projetos.

 

Então, pense bem quando for votar em alguém “para protestar”, ou mesmo quando for votar em qualquer um, mas cuja votação pode trazer outros políticos com os quais você não tem afinidade nenhuma. Seu voto não é apenas na pessoa, mas no partido dela, lembre-se disso.

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Administrador, desenvolvedor, gamer, tecnófilo, viajante, otimista nato, calmo por natureza. Criador do eco4planet, já escreveu para o Gizmodo e Papo de Homem e já participou do podcast do Manual do Usuário.
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