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Li no final do ano passado que as metas para “Até que a Sorte nos Separe 2” eram bastante ambiciosas: estrear no maior número de salas possível, investir pesado no marketing e divulgação, e fazer um PR intenso pra aproveitar a mídia espontânea junto a outros programas de TV e mídias sociais.

Bem, só faltou caprichar na qualidade.

O filme todo, desde o enredo até a atuação, é infeliz. A história dá continuidade ao filme de 2012, repetindo EXATAMENTE a mesma fórmula: Tino (Hassum) e Jane (Morgado) estão falidos e recebem uma bolada. Gastam toda a grana, se metem em enrascadas, o sentimento entre o casal fica abalado, mas no final tudo dá certo. Troque apenas os personagens, alguns atores, o cenário de fundo, e “Até que a Sorte nos Separe 2” é exatamente o mesmo filme – mal que também acometeu “Se eu Fosse Você 2”. Roteiristas brasileiros (preconceito intencional aqui) estão precisando seriamente de mais criatividade.

Enfim. Tino e Jane estão na pindura total (de novo) quando recebem uma bolada (de novo) proveniente da herança do Tio Olavo, que faz questão de ter suas cinzas jogadas sobre o Grand Canyon.
E lá vai a família pra Las Vegas (alguém lembrou de Chevy Chase em Férias Frustradas em Las Vegas?) passar por enrascadas previsíveis, clichê, culminando na perda de toda a grana (de novo). Tino resolve esconder (de novo) a situação de sua esposa, gerando uma crise entre o casal (DE NOVO) enquanto passa alguns perrengues com a máfia mexicana. É… é basicamente isso.

Sai Danielle Winits e entra Camila Morgado no papel de Jane. Winits é uma atriz mediana pra pior, mas por causa de uma incompatibilidade extraordinária de Camila Morgado para a comédia, a primeira chega a deixar saudades. É constrangedor ver Morgado tentando fazer comédia. É sem graça ao extremo por vários motivos – seus trejeitos são ridículos, a atriz não tem a veia cômica, e o pior: o roteiro foi feito especificamente pra explorar Leandro Hassum.

Hassum parece que só sabe interpretar um personagem: Leandro Hassum. Tá ficando insuportável já ver o adiposo humorista fazer o mesmo papel de gordinho afetado-atrapalhado-sem noção em tudo quanto é filme, programa e esquete. Seus personagens são todos iguais, e se isto fosse uma vantagem pra ser extremamente bom no que faz, ótimo. Mas não é o caso (nunca foi).
As piadas e os trejeitos físicos de Hassum são previsíveis, sem graça, e exagerados no velho padrão Zorra Total. O roteiro é feito especialmente para que ele “brilhe”, mas a qualidade de ambos deixa a desejar. Piadas de gordo são feitas de forma exagerada, as caras e bocas do ator são sempre as mesmas (troque a dancinha aeróbica do 1 por uma dança de boate no 2), e aquele estilo dele de “fingir que está rindo enquanto atua” já cansou.
O ápice do pé-no-saco, porém, fica por conta de Hassum interpretando a própria mãe, travestido. Chegam ao cúmulo de inventar um terceiro filho pro casal só para ter a desculpa de poder deixá-lo com a velha e fazer Hassum aparecer e (tentar) fazer mais graça, além de não fazer o menor sentido em termos de roteiro – deixar o filho no Brasil pra quê?

As participações especiais também deixam a desejar. Arlete Salles, no papel da mãe de Jane, sofre com um personagem fraco. Anderson Silva, vulgo Canelinha, também está lá só pra satisfazer o ego do lutATOR e garantir mais uns fãs na audiência. A sequência onde Tino enfrenta Anderson no octógono é ruim, muito ruim. Mas a cena final, onde repetem por umas 3-4 vezes a frase “Eu não sou o Anderson Silva”, é de fazer chorar de constrangimento.

E Jerry Lewis? Bem, era minha maior esperança de riso. Mas ele faz 2 pontas ridículas e curtas, não vale nem a pena.
Um último comentário pra fechar a resenha: Até o pessoal da trilha sonora precisa estudar um pouco. Reutilizar músicas de filmes consagrados (Snatch, Highroller) é muito feio. Não é homenagem, é falta de criatividade.

VEREDICTO: Vergonha alheia. Fuja.

Sr. Sobrenada, sobretudo, é publicitário, marqueteiro e tricolor, sim senhor. Crítico, cético, ácido. Imoral, ilegal e engorda.
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